terça-feira, 24 de junho de 2008

Realidade

Imagem retirada da Revista Paisà

Outro dia estava zapeando e fiquei na TV Brasil. Ivana Bentes começava o Curta Brasil, que naquela noite dava destaque aos vídeos realizados pelo artista multmídia Cao Guimarães. Parei na hora! Já havia visto alguns filmes dele, além de ter dado uma fuçada na internet procurando coisas sobre o cara e seu trabalho. O programa foi super bacana, foram exibidos uns 4 curtas, eu acho. Após a exibição dos filmes, rolou um bate-papo entre Ivana Bentes, Cao Guimarães e um filósofo que não me lembro agora o nome.


Pronto, depois dessa breve introdução vou direto ao ponto: não vou desenvolver o tema ou chegar a uma conclusão.


Cao Guimarães criou uma metáfora para falar de três formas de como se relacionar com a realidade*: “A realidade é como um lago, você pode ficar sentado no barranco contemplando esse lago, contemplando essa realidade. Uma segunda forma de se relacionar com esse lago seria atirando uma pedra, essa pedra reverberaria a água, desorganizaria essa realidade. A terceira seria se lançar ao lago, lançar seu corpo nesse lago”**.


Tchau!




*Link para página da Wikipédia sobre Realidade


**Como não lembrava exatamente da metáfora do Cao Guimarães, fiz uma pesquisa e achei uma entrevista bem interessante no UOL, da qual retirei a metáfora utilizada no texto.


Por Diego Bion

quinta-feira, 12 de junho de 2008

São Paulo na Encolha S/A

Na nossa terceira edição da sessão "Buraco Na Encolha", exibimos um filme que é considerado um dos maiores filmes do cinema brasileiro: "São Paulo S/A", de Luis Sérgio Person.
Todos já sabem, é de nossa intensão fazer com que essas exibições mensais do Buraco no Espaço Na Encolha sejam voltadas para a discussão sobre cinema, sempre com um convidado "entendedor" do ofício da sétima arte. A bola da vez é Roberto Souza Leão, formado em Cinema pela UFF e realizador de várias peripécias no meio cinematográfico. Conferimos abaixo o texto de Roberto sobre "São Paulo S/A", para que desde já nos preparemos para o debate:

"É bastante comum que estabelecer parâmetros de compreensão histórica dos movimentos culturais. Tal prática conduz o espectador a lugares mais seguros, e orientam o olhar. Contudo, algumas obras desafiam nosso entendimento. São Paulo Sociedade Anônima, primeiro filme do breve Luiz Sérgio Person, de 1965, com certeza é uma dessas obras que geram crise, e que nos força a analisar mais cuidadosamente suas nuances e seus sentidos.

Na historiografia do cinema brasileiro São Paulo S/A é tido como um legítimo representante do cinema novo, principalmente no que concerne aos chamados filmes da segunda fase do movimento, onde o cangaço e a favela saem da agenda, e entram em pauta aos dilemas da classe média e a problematização da figura do intelectual na sociedade brasileira. No entanto, as querelas entre a porção paulista e carioca do cinema na década de 60, deixam claro que, apesar de uma temática próxima aos demais filmes dessa época, e uma estética marcadamente de um cinema moderno e autoral, São Paulo S/A foi um filme sem muitos ecos e com um legado ainda por ser explorado.


O filme acompanha a trajetória de Carlos, vivido por Walmor Chagas, entre os anos de 1957 e 1961. Carlos é um desenhista industrial que ingressa em uma fábrica da Volkswagen na grande São Paulo, em plena euforia desenvolvimentista dos anos JK. Após ser demitido da fábrica, passa a trabalhar para Arturo (Otelo Zeloni), pequeno industrial do setor de autopeças. Carlos inicia um percurso angustiado, transitando entre adesão e inconformismo, sem em nenhum momento abandonar sua consciência sobre a falência de um projeto de vida sólido e ordenado. Ao mesmo tempo se envolve com Ana, Luciana e Hilda (Darlene Glória, Eva Wilma e Ana Esmeralda, respectivamente), três mulheres de valores e ideais distintos que aguçam em Carlos um sentimento de deslocamento. Conforme as palavras do próprio Person, o personagem gradativamente “perde seu do relacionamento autentico com as pessoas e coisas que o cercam”.


Ancorado pela fotografia de Ricardo Aronovich e pela montagem precisa de Glauco Mirko Laurelli, criando uma atmosfera de asfixia do personagem, o filme de Person é um perfeito exemplo do sentido de cinema moderno brasileiro. Em plena ditadura militar, Person propõe um recuo na história e questiona sobre o projeto nacional desenvolvimentista daqueles anos, através dos conflitos internos de seu personagem. Um personagem tomado pela agonia."


Agora é só esperar a sessão começar. Até lá!


SERVIÇO


Quarta-feira, 18/06/08, às 19h


CINECLUBE BURACO DO GETÚLIO

Espaço Na Encolha: Rua Manoel da Silva Falcão, 739 – Califórnia – Nova Iguaçu

Parceria Buraco do Getúlio/Espaço Na Encolha

Sessão Buraco Na Encolha

Entrada Franca


"São Paulo S/A"

Ficha Técnica
Luís Sérgio Person - Diretor
Renato Magalhães Gouveia - Produtor
Nelson Mattos Penteado - Produtor executivo
Cláudio Petráglia - Trilha sonora
Ricardo Aronovich - Fotografia
Glauco Mirko Laurelli - Montagem
Jean Laffront - Direção de arte
Elenco: Walmor Chagar, Eva Vilma, Lenoir Bittencourt, Darlene Glória, Otelo Zeloni, Ana Esmeralda.


Por Zeh Alsanne

sábado, 7 de junho de 2008

Parece... mas não é!

A próxima sessão do Cineclube Buraco do Getúlio, dia 9 de junho, é uma sessão recheada de duplo sentido.

Uma sessão temática, com filmes que são, mas não são, que dizem mas não dizem, cada um com um estilo, com um gênero, do seu jeito.


"Iraq, Pre-War", extra do filme Fahrenheit 11/09 de Michael Moore, é um documentário que mostra o Iraque antes da invasão dos Estados Unidos, com depoimentos de Iraquianos sobre o que achavam dos Estados Unidos, de George W. Bush e principalmente, o que achavam do seu líder, Saddan Hussein... bom, o que posso adiantar é que não é bem o que a mídia mundial vendeu sobre as opiniões dos iraquianos!


“O Sanduíche”, de Jorge Furtado é um documentário/ficção cheio de metalinguagem, uma zona só! Mas como sempre Jorge Furtado é surpreendente. Um filme romântico, que se transforma em dois atores ensaiando um texto para uma peça, que se transforma em dois atores interpretando num filme, que se transforma numa filmagem aberta ao público, que se transforma num documentário... ufa! Só vendo pra ter uma idéia, é genial!


“Alguma Coisa Assim”, de Esmir Filho, vencedor de diversos prêmios nacionais e internacionais, entre eles o de Melhor Roteiro Curta-Metragem em Cannes, é o que se pode chamar de ficção bem sucedida. A estória é simples: dois amigos adolescentes, um menino e uma menina, saem para a balada. O menino está descobrindo sua sexualidade, ela arruma um outro menino para ele ficar e de repente eles descobrem um outro sentimento um pelo outro. Não perdendo sua “tradição” de estética de comercial de TV, Esmir faz de uma estória aparentemente boba um filme super rico.


Como deu pra perceber, em todos os filmes as coisas parecem... mas não são! O que não é diferente no filme surpresa do final da sessão, afinal alguma coisa sobre essa sessão a gente tem que guardar segredo


Além da temática, dos filmes super legais e do filme surpresa, a gente tem mais uma novidade. Essa é a nossa sessão de despedida do Ananias Bar. À partir do mês que vem, julho, passaremos a fazer sessões uma vez por mês no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (Rua Getúlio Vargas, 51 – Centro – NI) todo primeiro sábado do mês.


A primeira sessão, dia 5 de julho, será sessão de comemoração de 2 anos do Buraco, com nome de “Sessão de Para o Futuro” com uma curadoria toda voltada para o cinema experimental e ao vídeo arte, e mais um monte de novidades, aguardem!


Por enquanto é só. Não percam, dia 9 de junho “Sessão Parece... Mas Não É” em todos os sentidos, nos filmes e no cineclube... parece que a gente vai mudar tudo, pode até ser que sim... mas por enquanto é só o lugar.



* Foto de Bion aos 3 anos de idade, tirada pela mãe, Eliana.

SERVIÇO


Segunda-feira, 09/06/08, às 19h

CINECLUBE BURACO DO GETÚLIO

ANANIAS BAR: Rua Floresta Miranda, 48 – Centro – Nova Iguaçu.

Sessão Parece... Mas Não É!

Entrada Franca

“Iraq, Pré-War”, extra do filme Fahrenheit 11/09 de Michael Moore

"O Sanduíche", de Jorge Furtado

“Alguma Coisa Assim”, de Esmir Filho

Filme Surpresa!



Por Luana Pinheiro e Diego Bion

domingo, 18 de maio de 2008

Buraco na Encolha - Atabaques Nzinga


Como você sabe o Buraco está ficando maior (como assim você não sabia?) e parte desse crescimento se deve ao nosso mais novo parceiro, o Espaço Na Encolha.

No mês passado fizemos nossa primeira sessão lá com o filme “Olhar Estrangeiro” de Lúcia Murat. A sessão foi bem legal, primeiro porque foi realizada na sala de cinema mais charmosa do Rio de Janeiro, o estúdio do Na Encolha. Em segundo porque de cara pudemos mostrar o perfil das sessões que ainda estão por vir: exibição de longa seguida de debate com alguém que esteja no ramo do cinema, ou que tenha ligação com o tema/objeto do filme.


Então... quarta-feira próxima, dia 21 de maio o Buraco Na Encolha (nome dado as sessões realizadas Na Encolha) tem sua segunda sessão com o filme “Atabaques Nzinga”, de Octávio Bezerra. Sessão essa muito importante, principalmente por ser de um filme que estréia simultaneamente nos cineclubes e nos cinema. Para o debate teremos a presença de Marcos Serra, ator e ex-presidente do Conselho Municipal de Cultura de Nova Iguaçu.


Conto com sua presença para essa sessão, para as outras também... mas isso é um outro post.


*Foto do Filme "Atabaques Nzinga".


SERVIÇO


Quarta-feira, 21/05/08, às 19h

CINECLUBE BURACO DO GETÚLIO

Espaço Na Encolha – Rua Manuel da Silva Falcão, n°739 – Califórnia– Nova Iguaçu

Sessão Buraco Na Encolha

Entrada Franca

-Debate com Marcos Serra, ator e ex-Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Nova Iguaçu.


"Atabaques Nzinga"


Ficha Técnica:
-Direção
Octávio Bezerra

-Elenco
Taís Araújo
Lea Garcia
Naná Vasconcelos
Paulão
Paschoal Villaboim
Mestre Leopoldina
Nestor Capoeira

Equipe Técnica:


Argumento original: Rose La Creta
Roteiro: Rose La Creta e Octávio Bezerra e a colaboração de Amílcar Claro
Diário Poético: Elisa Lucinda
Diretor musical: Naná Vasconcelos
Diretor de fotografia: Hélio Silva e Guerrinha
Câmera: Tuta, Guerrinha e Renato Laclette
Diretor de arte: Kátia Alexandria
Figurinos: Beto e Anne Gaul
Operador de som: Juarez Dagoberto
Montagem: Sueli Nascimento
Produtoras executivas: Ana Giannasi e Rose La Creta
Ano de produção: 2007
Duração: 84 minutos
Distribuição em cinema: Riofilme


Por Diego Bion

sábado, 10 de maio de 2008

Sessão Cezar Migliorin

O Cineclube Buraco do Getúlio orgulhosamente apresenta:


Sessão Cezar Migliorin


Foto retirada do blog: artistatrabalha.blogspot.com


Cezar, que é professor, realizador e ensaísta concentrado principalmente no audiovisual contemporâneo, foi professor de Linguagem Cinematográfica de alguns de nós na Escola Livre de Cinema, onde enlouquecia a todos com suas aulas, principalmente a primeira, onde falou da sua impossibilidade de dar a matéria apresentada, começando os porquês com a célebre frase de Guimarães Rosa “A linguagem e a vida são uma coisa só”, e as duas, portanto, estão em constante transformação.


Além de deixar loucos seus alunos, seus espectadores e os críticos de cinema “nas horas vagas”, ele faz parte da equipe de redação da Revista Cinética e mantém o blog Polis+Arte sobre audiovisual, mídia e política. É doutor em Cinema e Audiovisual (Paris III-Sorbonne Nouvelle), Comunicação e Cultura (Eco-UFRJ) e é Secretário-adjunto de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu.


Nessa sessão exibiremos oito de seus trabalhos, que passeiam por documentário, vídeo arte, vídeo-instalação e performance. Todos participantes de mostras, festivais e exposições, dando a Cezar (o que é de Cezar!) prêmios como Melhor Curta-metragem Nacional – Mostra do Filme Livre – 2004, Melhor Montagem de Curta-metragem no Festival de Gramado – 1997 e Melhor Filme Experimental - Black&White Audiovisual Festival 2005 - Porto/Portugal, dentre outros.


Felizes e ansiosos, esperamos pela sessão!


À partir dessa postagem inauguramos uma nova forma de falar sobre as sessões do Buraco. Convidaremos pessoas para escrever sobre os temas ou artistas da sessão.


Na estréia convidamos a contista Hanny Saraiva para escrever sua percepção sobre a obra de Cezar Migliorin, a partir de alguns de seus filmes:


O humor afiado e a banalidade das cenas das obras de Cezar Migliorin gravitam por uma corda fina onde muitos odeiam e outros amam seus filmes. A relação política e estética é ironicamente expelida na tela. O uso recorrente da dicotomia ‘afetar e ser afetado’ é seu ponto chave. Seus filmes não são armas ideológicas contra a corrupção ou a intelectualidade, mas retratos irônicos. A dimensão de suas imagens contemporâneas opera entre questionar o papel da obra de arte versus artista a relação com o dinheiro.


Com narrativas sucintas, enquadramentos vezes nervosos vezes simples, os filmes são indigestão para uns e esperança para outros, aqueles que acreditam que a arte é para ser doada ao mundo e para nos fazer refletir sobre o modo como reagimos e agimos nesse mundo que nos cerca. É audiovisual vivo, pulsante. Pontes para um universo de criatividade latente. É cuspir ou engolir.”

(Blog da Hanny)



Cineclube Buraco do Getúlio

Segunda-feira, 12 de maio – 19h

Ananias Bar – Rua Floresta Miranda, 48 – Centro – Nova Iguaçu

Entrada: R$ 0,00


Sessão Cezar Migliorin


Ação e Dispersão – Documentário - 2003

Dime” – Videoarte - 2003

"O esquecimento" Videoarte - 2004

“Meu Nome é Paulo Leminski” – Documentário - 2004

Brutalmente as superfícies– Documentário - 2006

"O traidor" – Video-instalação - 2004

“Artísta sem idéia”performance - 2005

“Artísta Trabalha”instalação e performance - 2005



Por Luana Pinheiro