segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Vento Forte do Levante - Solano Trindade


“Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piuiiii
Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome.
Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome 
Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome."

A arte poética de Solano Trindade.



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

3º Filme do Ciclo Buraco do Getúlio Convida

Do latim, a palavra Solano significa “O Vento Forte do Levante”, ou como explorou a escola de samba Vai-Vai no carnaval de 1979 “O Vento Forte da África”, ou até mesmo como define Newton Menezes “Vento Forte da África que se sente às vezes na Espanha”. Dessa miríade de traduções o que mais importa é saber que todas correspondem a um único personagem, “forte” na coerência de sua trajetória e como o “vento” volátil na versatilidade de sua arte, eis assim Solano Trindade, homem negro nascido vinte anos depois do fim oficial da escravidão e que não se curvou diante da opressão de cor, de classe e de cultura.

A antropofagia do Vento Forte do Levante

Caminhos e descaminhos de um dos maiores poetas brasileiros: O Vento Forte do Levante - Solano Trindade. BATE PAPO logo em seguida com o diretor:

SERVIÇO 
Cineclube Buraco do Getúlio
Dia 18 de outubro, às 19h
Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI

domingo, 9 de outubro de 2011

Cartão Postal


Nos bastidores do Cartão Postal
Lançamento nacional da distribuidora de filmes DF5, do Fora do Eixo, o filme Cartão Postal é uma realização do projeto Cinemaneiro, que ministra oficinas e faz exibições de cinema em 18 favelas do Rio de Janeiro. Na entrevista a seguir, diretores do filme e coordenadores do Cinemaneiro contam um pouco sobre a execução do longa, ou melhor, dos vários curtas que resultam no longa.
1. Quando e como foi concebido o filme Cartão Postal?
A parte principal gravamos em meados de 2007, o prólogo em dezembro de 2005 e o curta do final em 2010. Durante alguns anos, o Núcleo de Produção Cinemaneiro se dedicou ao processo de experimentação audiovisual dos participantes, sempre no formato de curta duração. Com a oportunidade de um orçamento (R$ 40.000,00) o longa Cartão Postal foi pensado como uma forma de colocarmos em prática tudo que vínhamos experimentando em pedaços, nos curtas anteriores.
2. Como as histórias foram desenvolvidas? Houve roteiro, escolha de tema ou simplesmente os jovens saíram gravando o que queriam?
Seguimos os conceitos básicos de organização de uma produção, com os departamentos bem definidos, mas como somos parceiros antes de sermos profissionais, a colaboração foi a tônica do processo. Existia uma escaleta da parte principal e os curtas tiveram seus roteiros mais definidos. O encaixe dos curtas ao corpo principal aconteceu em paralelo à montagem/edição do filme, a partir de algumas necessidades encontradas e de algum planejamento prévio, dentro do espírito temporal e atemporal (sim, os dois ao mesmo tempo) que carrega o filme.
3. Como surgiu a proposta de transformar esses pequenos filmes em um longa?
A era da multiplataforma nos instiga a desvendar. Disponibilizar em partes, entender o espectador de forma diferente e não passivo e buscar interatividade foram algumas das linhas de raciocínio que nos levaram a este formato aberto.
4. Qual a intenção na escolha do nome Cartão Postal?
O Rio, dizem, é a porta de entrada do Brasil e um cartão postal dos mais conhecidos mundialmente. Mas não é só de belezas que o Rio é feito. Muito pelo contrário. Contrapor o significado do “cartãozinho” que os turistas levam como lembrança à dura realidade é a intenção. Fazer pensar como estes dois Rios são um e são dois.

5. Como funciona o projeto Cinemaneiro? Conte um pouco dessa história até chegar na concepção do filme.
O Cinemaneiro é um projeto que nasceu como difusão de curtas brasileiros, que tinha oficina de realização cinematográfica em digital como modo de mobilizar os jovens. Rapidamente, já em 2003, dobramos o tempo de curso, entendendo que os participantes queriam mais que serem espectadores.

Mais um ano se passa e elaboramos o Núcleo de Produção Cinemaneiro, para onde os participantes das oficinas introdutórias corriam, com objetivo de experimentarem mais, se especializarem nas suas áreas de interesse e encontrassem outros integrantes deste que já se constituía como um coletivo e pudessem construir seus projetos.

O Cineclube Beco do rato é um destes projetos (que vai para o seu sexto ano de funcionamento semanal) e a própria Cidadela é a ONG fundada a partir das necessidades e anseios desta rapaziada introduzida no audiovisual pelas oficinas Cinemaneiro, já misturados aos professores, coordenadores, colaboradores das oficinas.

A escaleta da parte principal do Cartão foi concebida a partir de conversas entre freqüentadores do NUPROCINE e, na oportunidade do investimento da UNIMED no filme, optou-se por um não roteiro, mas na decupagem da escaleta, já com o filme final sendo idealizado.
6. Quantas pessoas participam do projeto?
Nossa equipe varia de acordo com a edição do projeto de oficinas (já foram 4, 6 ou 8 de uma só vez), mas entre equipe fixa e flutuantes, já passaram pelo projeto aproximadamente 50 pessoas, entre gente de cinema e assistentes sociais, por exemplo.

7. Qual o objetivo da produção e divulgação desse projeto?
Além de ser nosso primeiro longa, é de baixíssimo orçamento e se propõe a ser 100% compartilhado. Mostrar nosso trabalho é um dos objetivos, mostrar o baixo orçamento como um bom modelo de produção e comprovar que compartilhando nos conectamos com muito mais agentes, atores, pessoas, coletivos, redes sociais, espectadores.
8. O cinema é uma ferramenta de transformação social? Por quê?
Sim. Além de vivermos cada vez mais com o audiovisual nas nossas vidas, o ser humano é um ser audiovisual. Pense numa palavra qualquer e o que virá a sua cabeça é o objeto que a palavra representa. Quantas vezes sons nos remetem a uma lembrança? Vivemos o cinema, dentro das nossas mentes, de forma inconsciente, mas sempre presente. O cinema materializa e nos faz perceber isso e de que formas podemos interagir mais e melhor.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

2º Filme do Ciclo Buraco do Getúlio Convida


Em 2016, como será o cartão postal do Rio? Como será a vida nas periferias? Cartão Postal mostra um inquieto e multifacetado Rio de Janeiro, em narrativa não-linear, em uma cidade despercebida pelos olhares dos turistas.
Realizado com baixíssimo orçamento, rodado em  formato digital, o filme dialoga com os novos meios de exibição, em principal a internet e conta o cotidiano de Beiço, do rapaz trabalhador ao rei da favela, pelas lentes do projeto Cinemaneiro, da associação Cidadela.








CARTÃO POSTAL - TRAILER from DF5 - Distribuidora de Filmes Fo on Vimeo.

Mais em http://cartaopostal.tnb.art.br/

SERVIÇO 
Cineclube Buraco do Getúlio
Dia 11 de outubro, às 19h
Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI

terça-feira, 4 de outubro de 2011

1º Filme do Ciclo Buraco do Getúlio Convida!


O convidado é sempre uma pessoa querida, aquele que gostaríamos de compartilhar experiências, carinho e afetividade. O  BG desse mês quer dividir com você nossa admiração por aqueles que estão perto, respirando cinema tanto quanto nós, a nossa lista amiga. Pra startar, o incrível homem de duas cabeças, Paulo Halm e seu divertidíssimo Histórias de Amor duram apenas 90 minutos.


Paulo Halm, diretor-roteirista (ou roteirista-diretor), por ele mesmo:

"Se tem uma coisa que me irrita é quando alguém me chama de escritor. Ainda mais quando é alguém de cinema. Sou um cineasta, ou se preferirem, um técnico em cinema, especializado em roteiro. Não me considero escritor, pelo menos não quando estou trabalhando para cinema. Me incomoda que diretores de fotografia, editores, técnicos de som, produtores, etc, sejam considerados cineastas e o roteirista seja considerado uma espécie de "invasor", um estranho no ninho, como se seu trabalho não fosse parte fundamental e intrínseca da produção de um filme. Não tenho nada contra escritores, romancistas, poetas, dramaturgos, profissionais e artistas que vivem da palavra escrita, mas não acho que o roteirista, por mais que empregue o texto como matéria prima de seu trabalho, esteja fazendo literatura. Está fazendo cinema. Portanto, é um cineasta. Depois de mais de 20 anos trabalhando em cinema, dividido entre roteiro e direção, é isso o que sou: um cineasta. Ainda que, na maioria das vezes, meus filmes não passem de folhas de papel."




SERVIÇO 
Cineclube Buraco do Getúlio
Dia 04 de outubro, às 19h
Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI