Reúna um bocado de pessoas estranhas. Uma música de jardim e uma energia que vem pulsando que nem sintonia de improviso. Aquela coisa que começa no pé e que no fim das contas você repete e canta porque tem gosto de quero mais. Assim é e assim será o último Buraco do Ano: desconectado e carinhosamente recheado de Gente Estranha no Jardim porque "hoje o samba não tem cor, hoje ele não tem raiz" e isso sempre faz a gente um pouco mais feliz.
É fim de ano, junte-se a nós. Seja um estranho! =D
O Buraco tinha fechado as portas esse ano, mas deu seu jeitinho brasileiro de voltar à ativa. Quando a coisa é boa, a gente sempre quer repetir, né? Na vibe de "repete, please" o BG traz uma edição extra com o Núcleo Móvel do Festival Estética Central.
A galera do Estética vai realizar durante o dia uma oficina de produção de vídeo na Casa de Cultura e à noite o Buraco exibe o material produzido.
E em ritmo de "só mais um pouquinho", rola logo depois da exibição show acústico com Iuri Andrade, do Andrade e a Torre para que o extra fique com gosto de "quero mais". Chegaí!
SERVIÇO Cineclube Buraco do Getúlio Dia 13 de dezembro, às 19h Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI
Aqui a despedida ao ano tá em ritmo de festa! E pra comemorar intervenção dos poetas do Desmaio Públiko, set list de Zeh Alsanne, Cretinos Iluminados, som irado de Blake Rimbaud + curtas, curtas e curtas!
Pra fechar o pacote recheado de 2011, teremos Prazer, meu nome é Nova Iguaçu, de Yasmin Thainá, A Primeira Máquina do Tempo do Mundo, de Josy Antunes, Juntos Eles Vão Fazer Muito Mais, de Milena Manfredini, De Alguns Poetas da Terra das Laranjas, de Tigu Guimarães e CSI Nova Iguaçu, de Ian SBF. Simbora que vem 2012!
Mulheres nuas. Tom macabro. Bruxas, videntes, macumbeiras. Dor. Sangue. Tortura. Mutilações com ganchos e facas. Agulhadas. Mãos esmagadas. Choque em mamilos. Ratos e baratas. Um clássico B. E como todo clássico, imperdível. Fechando o Ciclo Terror Trash, em parceria com o Cineclube Wilson Grey, o BG orgulhosamente apresenta:
Para deleite dos fãs, Encarnação do Demônio (2008) encerra, após quarenta anos, a trilogia iniciada em 1964 com A meia-noite levarei sua alma, que ainda gerou Esta noite encarnarei no teu cadáver em 1967. Apesar da distancia temporal, cineasta José Mojica Marins, criador e interprete do protagonista Zé do Caixão nos três filmes, conseguiu modernizar a narrativa sem perder a mítica do personagem.
A trama atualiza a história para os dias atuais. Após 30 anos preso, Zé do Caixão (José Mojica Marins) é finalmente libertado. Novamente em contato com as ruas, o sádico coveiro está decidido a cumprir a mesma meta que o levou preso: encontrar a mulher que possa lhe gerar um filho perfeito. Em seu caminho pela cidade de São Paulo, deixa um rastro de horror, enfrentando leis não-naturais e crendices populares.
Mojica utiliza a técnica do flashback para construir uma ponte de ligação com os dois filmes anteriores. Ao mesmo tempo, esse recurso serve para familiarizar o espectador que não conhece sua obra. São noventa minutos de sangue, vísceras e escatologia, influenciados por uma linguagem cinematográfica nostálgica que utiliza a presença de Zé do Caixão para transportar o espectador para um universo de violência extrema. Uma mistura de terror e erotismo aguçados pelos efeitos especiais de André Kapel. Todos esses maneirismos visuais não são gratuitos. Cada seqüência de violência acerbada é justificada objetivamente através de uma coerência narrativa com a psicologia e obsessão do protagonista. Fica claro que os meios justificam o fim.
Mojica abusa dos tons escuros e carregados, mesmo nas cores vivas como o vermelho. A fotografia de José Roberto Eliezer aliado a direção de arte de Cássio Amarante possuem requintes gregorianos que nos remete ao cinema dos anos 70 do mestre do giallo Dario Argento. Esse painel de matizes sombrias transformam a cidade de São Paulo em uma espécie de terra paralela, em que o real ganha uma camada de fantasia nebulosa oriunda de uma dimensão bestial e funesta. No meio desse cenário lúgubre, mensagens subliminares surgem disfarçadas de forma que a cadencia da trama não perca o seu ritmo avassalador. A edição de Paulo Sacramento pontua esse compasso junto com a ótima trilha sonora composta pela dupla André Abujamra e Marcio Nigro.
Interessante que todo esse apuro técnico acabou sendo obra do destino. A idéia era finalizar a história de Zé do Caixão ainda nos anos 60, mas perseguido pela ditadura, Mojica não conseguiu viabilizar o projeto. Foram décadas tentando arranjar uma verba que pudesse levar o capítulo final da saga da figura dramática mais famosa do terror tupiniquim. A solução começou a surgir, quando Mojica foi descoberto pelas cabeças pensantes lá de fora. Seu personagem ganhou o nome de Coffin Joe e foi imortalizado por milhares de fãs espalhados pelos quatro cantos do mundo. Ele passou a ser convidado para festivais de filmes fantásticos e chamou a atenção dos novos cineastas do terror como Rob Zombie (Casa dos 1000 Corpos) e Eli Roth (O Albergue), entre outros.
Com toda essa fama, Mojica acabou sendo redescoberto no Brasil. Com a aprovação do 1ºmundo, o 3ºmundo passou a vê-lo com outros olhos. Se o Zé do Caixão era um pastiche nas décadas de 80 e 90, no novo milênio passou a ser considerado cult pelos intelectuais e estudantes de cinema brasileiros. Uma pena que essa conclusão tenha partido de fora para dentro. Mas toda essa demora acabou criando a oportunidade de contar com novos recursos tecnológicos e uma verba decente. Nunca Mojica teve um orçamento desse porte. Foram 1,8 milhões de reais onde o diretor pode por em prática toda sua habilidade de artesão cinematográfico.