terça-feira, 20 de setembro de 2011

Louco por Cinema

A arte sempre foi o objeto de reflexão preferido da própria arte - é o teatro questionando o trabalho do ator ou o futuro da dramaturgia; a poesia exaltando a forma poética; o cinema discutindo o fazer cinema. Mais do que um exercício bem humorado de metalinguagem, Louco por Cinema, dirigido pelo cineasta baiano André Luiz Oliveira, é o reflexo das dificuldades para filmar enfrentadas por toda uma geração de cineastas.

O ano é 1994, o cinema nacional tenta despertar após o anúncio prematuro de sua morte, com a extinção da Embrafilmes pelo governo Collor. Nesse contexto um tanto deprimente, Louco por Cinema é extremamente representativo, embora freqüentemente esquecido pela crítica autodenominada especializada, como um dos primeiros suspiros do que muitos hoje chamam de retomada. Marcou também o efêmero retorno do diretor André Luiz Oliveira, cuja curta carreia no cinema, mas muito respeitada, inclui a adaptação livre do texto de José de Alencar, A Lenda de Ubirajara (1975) e o clássico udigrudi, Meteorango Kid – O Herói Intergaláctico (1969). 

A trama gira em torno das fantasias e loucuras de Lula (interpretação acima da média de Nuno Leal Maia, que lhe rendeu o prêmio de melhor ator no 27° Festival de Brasília, em 1994), um paciente internado há 20 anos num manicômio judiciário em Brasília. Lula enlouqueceu quando foram interrompidas as filmagens de uma produção underground chamada O Caminho da Serpente. Ele está obcecado em terminar de rodar o filme e para isso acaba sequestrando, com ajuda dos outros internos, uma equipe de direitos humanos. Sua exigência é retomar a produção. Completar esta obra inacabada pode ser a única alternativa para Lula esclarecer o que realmente aconteceu no fatídico dia em que O Caminho da Serpente foi interrompido. 

Assim como o cinema brasileiro da época, os personagens presentes no roteiro escrito pelo próprio André Luiz parecem todos perdidos e frustrados, buscando uma afirmação sempre inalcançável. A redenção para os personagens parece vir da realização cinematográfica, do momento mágico da exibição. É a autobiografia do cinema e do cineasta André Luiz, que sempre encarou o cinema como algo idealizado e de expressão artística, nunca como um ofício. 

Louco por Cinema foi muito aplaudido no Festival de Brasília em 1994, onde se sagrou o grande vencedor. Faturou com mérito os prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Diretor, Melhor Canção (Cláudio Vinícius) e Prêmio da Crítica. O longa-metragem foi remasterizado e lançado em versão digital pela ASA Cinema, em edição caprichada, com comentários em áudio do diretor André Luiz, depoimentos de profissionais como Carlos Reichenbach, trailer, crítica escrita de Arnaldo Jabor, jornal em vídeo do Festival de Brasília de 1994 e ficha técnica completa.

retirado daqui


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Transeunte

Gestos, margens, afetos que mapeam passagens, linhas, manchas e rugas.
 Transeunte, o anônimo de cada um de nós.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

4º Filme do Ciclo Cinematográfico

Enquanto muitos filmes obrigam você a olhar a tela e sujam com imagens e elementos desnecessários, Eryk Rocha pede para que você ouça com atenção. 

Em sua primeira ficção, "Transeunte", o cineasta faz de um delicado trabalho de som, combinado com a atuação contida do protagonista, Fernando Bezerra, e o despojamento narrativo, um filme que merece ser descoberto.
 
Expedito (Bezerra) é uma figura solitária cuja vida grita silenciosamente no desespero de não ser vivida em vão. Ele acaba de se aposentar e perdeu a mãe, com quem sempre viveu. Solteiro e sem filhos, é na sobrinha (Bia Morelli), que o visita no aniversário, que ele tem o único vínculo com outra pessoa. Aqueles que cruzam seu caminho são apenas isso: desconhecidos.
 
A jornada de Expedito no filme, roteirizado por Eryk e Manuela Dias, é um périplo que se fecha onde começou. Às vezes, o que importa não é onde se chega, mas a jornada em si.

retirado daqui


"A gente só existe pela memória do outro" (Eryk Rocha)


"Tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa. 
Tudo que cessa no que vemos é em nós que cessa". (Fernando Pessoa)


"Não se sabe onde termina a pele dele e começa a pele da cidade" (Eryk Rocha)

SERVIÇO 
Cineclube Buraco do Getúlio
Dia 19 de setembro, às 19h
Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Saneamento Básico


Jean-Claude Bernardet, um dos mais importantes críticos de cinema do Brasil, diz que a metalinguagem é uma "doença juvenil". Em certo ponto, concordemos - fazer um filme para falar do processo de fazer filmes é, no mínimo, um egocentrismo. Charlie Kaufman está aí e não nos deixa mentir.
Mas há casos como o de Jorge Furtado, curta-metragista gaúcho que estreou em longas em 2002 com Houve uma vez dois verões. (A comédia romântica dialoga com o cinema já no título, referência ao clássico de 1971 deRobert Mulligan.) A metalinguagem se intensificou nos dois longas mais recentes de Furtado, Meu tio matou um cara e O homem que copiava, que de certo modo já tratavam da arte de contar histórias, xerocopiando referências, remontando cenas de memória e investindo no hipertexto.

Saneamento Básico - O Filme (2007), que antes de mais nada já consolida o nome do diretor gaúcho como o melhor autor de humor no cinema nacional recente, não é um caso isolado, portanto. O longa recorre abertamente à fórmula do filme-dentro-de-filme, mas isso não vem de agora. Se Furtado tem a "doença juvenil", a seu caso não há remédio. A sua metalinguagem é um traço congênito, não uma caxumba.
Riqueza incalculável
A narração em off de Fernanda Torres antes do filme começar já é metalinguística: ela convida todos a se sentarem, acomodarem-se. Depois pergunta se compensa esperar aquele cara atrasado ou se podemos dar início logo à sessão... Surge a primeira imagem e descobrimos - veja só - que Fernanda não estava falando conosco, mas com outros personagens. Quer dizer, estava falando conosco, sim, disfarçadamente, porque é desse jogo duplo que depende Furtado.
A personagem, Marina, organizava uma reunião com outros moradores de uma vila na serra gaúcha, que tenta há anos construir uma fossa que elimine o esgoto a céu aberto. Eles chegam à conclusão de que a obra continua cara demais, e recorrem à prefeitura. Como saneamento básico não é a prioridade do governo local, a única verba disponível é o dinheiro que Brasília oferece em um concurso de curtas-metragens a novos realizadores. A família de Marina e Joaquim (Wagner Moura) precisa, então, produzir um filmete. E, daí, usar o dinheiro federal para pagar a fossa.
E lá vão eles emprestar câmera, costurar fantasia, arrumar figurante... Só o processo que os leva à escolha, como tema, de uma ficção científica com monstro, já é absurdamente hilário. Curiosidade (para depois do filme): "quimera", no dicionário, também quer dizer "utopia".
No meio de tudo, o diretor tece seus comentários sobre o financiamento público da cultura. Furtado assume, por meio do filme, que há distorções no sistema. Seus personagens questionam a todo momento: como o governo pode dar dinheiro para o cinema se as pessoas mal têm esgoto? Com o desenrolar de Saneamento Básico - O Filme, porém, os personagens-cineastas percebem o valor do que estão criando. Não é algo tangível, que dê pra colocar numa prestação de contas, mas um valor simbólico, emocional. E é dessa riqueza incalculável que o bom cinema é feito.
Quanto ao lado umbiguista da metalinguagem, Bernardet não deixa de estar certo. Furtado se auto-elogia por meio de seu alter-ego, o malandro Zico (Lázaro Ramos), o sujeito que bota ordem e injeta sangue no set mambembe de Marina e Joaquim. Lázaro é sempre ótimo, mas nos filmes de Furtado ele se supera. Por essa e outras, a massagem de ego do gaúcho dá até pra perdoar. Competente criador, ele tem o direito de se exibir.
retirado daqui

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cortina de Fumaça

Você é favor ou contra à legalização? O Buraco do Getúlio abre a cortina para você ouvir e ver o que tá rolando por trás da fumaça.


Bate papo logo em seguida. Presença do diretor.