sexta-feira, 29 de julho de 2011

Abertura do Ciclo Especial


O Cineclube Buraco do Getúlio reserva o mês de agosto para entrar no universo das pessoas com necessidades especiais e exibir filmes que adentrem a arte de se viver "diferente" do senso comum.

O bate papo do mês vem recheado do talento de Roberto Souza Leão: dublê de roteirista, anti-produtor cultural, escritor bissexto, comentarista de futebol de botequim, folião profissional e botafoguense ecumênico.




Sócio da Produtora Rocinante, realiza atualmente o projeto de longa-metragem Maracanazo, Adiós? Guardião da memória audiovisual, trabalhou na Cinemateca do MAM, no Arquivo Nacional e na Fundação Getúlio Vargas e foi colaborador da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu. Bravo Guerreiro da causa no CTAv, é um dos idealizadores e fundadores da banda Exalta Rei!, mas desistiu da carreira de pop-star em nome da tranquila vida na Avenida Brasil. 


E para abrir o ciclo a especialidade de CRIME DELICADO, de Beto Brant, com sua metalinguagem fragmentária e suas inquietações. Quem disse que agosto era mês de cachorro louco? 




SERVIÇO 
Cineclube Buraco do Getúlio
Dia 02 de agosto, às 19h
Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Viajo porque preciso, volto porque te amo

Um road movie pelo sertão ou uma poesia sobre a fuga. Viajo por que preciso, volto por que te amo (Brasil, 2009) de Karim Ainouz e Marcelo Gomes, vai além da geografia dos espaços e do valor de uma simples frase de efeito surgida numa parede. Por ser poético e ficcional, sem deixar de documentar o real, pode-se dizer que ainda não se encaixa em um padrão do cinema brasileiro.
Obrigado a estar no banco do passageiro, a primeira cena de Viajo por que preciso, volto por que te amo não esconde ao espectador que embarcará como carona ao lado do geólogo José Renato (Irandhir Santos). Ele tem 35 anos e é enviado ao sertão nordestino a fim de pesquisar as condições para um possível canal que será feito com o desvio de águas de um único rio caudaloso da região. Não vê-se o protagonista em momento algum, ele é apenas uma voz em off que orienta as cenas de um sertão que por horas é o mesmo árido de sempre e por outros momentos é um desconhecido, um grande vazio com luzes noturnas.
José Renato é um apaixonado e ao mesmo tempo foge da decepção dessa paixão. Fazendo referências interessantes de momentos vividos e pequenos detalhes entre ele e sua mulher, o narrador constrói o cenário que assistimos aliando seus pensamentos dia após dia que se afasta (ou se aproxima) de sua casa. Fazemos parte desse diário de viagem.
Durante a odisséia encontra-se os mais estranhos e incríveis personagens que vão moldando os sentimentos do narrador ao longo do caminho. Desses personagens são as prostitutas que têm o dever de preencher o vazio de José Renato, não somente com o sexo, mas com suas histórias e trajetórias. Destaque para Pati que ao ser questionada sobre o que esperava da vida, ela apenas resume querer ¨Uma vida-lazer com sua filha e um companheiro¨.
Tratar o sertão nordestino sem mitologias é um das características mais interessantes dos dois diretores. Construíram, com as experiências anteriores como em Cinema, Aspirinas e Urubus e O Céu de Suely, um novo conceito sobre a região. Afinal, os sertanejos também são afetados pela mídia e pelas desesperanças do urbano, e fugir do imaginário popular sobre a região não é tarefa fácil. Em entrevista com o diretor Jean-Claude Bernardet, Karim Ainouz e Marcelo Gomes, ambos nordestinos, falam sobre a necessidade que sentiam em experienciar, vivenciar de fato, tudo que ouviam e supostamente sabiam da região. Um trabalho, acima de tudo, sensorial.
Viajo por que preciso, volto por que te amo foi gravado num período de aproximadamente 10 anos, partindo de um projeto que inicialmente seria sobre as feiras do interior nordestino. Karim Ainouz e Marcelo Gomes relatam que tinham uma ligação meio mística com as filmagens, mas até 2009 não tinham muita certeza do que fazer, até decidirem que seria um trabalho que envolveria as gravações do sertão mescladas a história de um personagem, o José Renato, muito bem trabalhado na voz de Irandhir Santos.
A fotografia do filme chama bastante a atenção por mesclar imagens de slides, de uma câmera super-8, duas câmeras 16mm (Bolex), uma câmera tcheca (Minockner) e uma mini-DV VX1000(Sony). Essa mistura resulta numa bonita colagem e visões sensoriais intensas a quem assiste.Viajo por que preciso, volto por que te amo é simples de concepções técnicas, porém se mostra carregado de uma narrativa intensa. Um filme para ser lido, ou uma leitura para ser vista.
A sensação no fim do longa, é a da necessidade de mudança. Zé Renato encara a viagem como uma transmutação do seu sentimento de perda e vazio. Ao vivenciar os 75 minutos dessa trajetória, fica a vontade de ir para qualquer lugar, uma necessidade de fuga que deixa o espectador buscando algo. Uma sensação de querer uma ¨vida-lazer¨ e de abandono quando Zé Renato cessa a sua fala, afinal não vendo o personagem o espectador se confunde com as coisas ditas e vistas por ele. Impossível não sair do cinema não carregando um pouco do geólogo dentro de si. E mesmo que piegas, o espectador ao fim sabe que todos já viajaram porque precisavam e voltaram porque amavam algo ou alguém.
SERVIÇO 
Cineclube Buraco do Getúlio
Dia 26 de julho, às 19h
Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI

domingo, 17 de julho de 2011

3º Filme do Ciclo Pé na Estrada

Até logo, até logo, companheiros,
Guarda-vos no meu peito e vos asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.
Adeus, amigos, sem mãos nem palavras
não façam um sobrolho pensativo
Se morrer, nessa vida, não é novo,
tampouco há novidade em estar vivo.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Estrada para Ythaca

Para expurgarem a morte de amigo, quatro rapazes viajam para Ythaca, região metafórica que aponta tanto para o Cinema do Terceiro Mundo, entoado por Glauber Rocha em Vento do Leste, de Jean-Luc Godard (sequência que os diretores homenageiam), quanto para a redenção e a catarse do sofrimento e da ausência.

Filme coletivo, de realizadores jovens, Estrada para Ythaca imediatamente nos lembra de Conceição – Autor Bom É Autor Morto(também pela importância da roda de cerveja em ambos). Porém, se este era episódico, aquele é linear – na medida do possível, já que os diretores respeitam a premissa clássica do início-meio-fim, mas a preenchem com acontecimentos banais, desdramatizados, burlescos: os protagonistas (os próprios Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti) jogam conversa fora, acendem fogueira para esquentar água, urinam na beira da estrada, dormem ao relento, trocam o pneu do carro e… bebem. Muito.

Estrada para Ythaca prega o humor e a liberdade (a ponto de manter na edição cena em que um dos diretores tropeça na câmera – é o Cinema do Terceiro Mundo, afinal), assim como flerta com o fantástico e o maravilhoso, à maneira de Buñuel e de Jean Vigo (apenas uma nave espacial, evento fora do comum, é capaz de levá-los às portas de Ythaca). O filme, no entanto, também interage com outra tradição cinematográfica, bem distinta: a dos amigos (homens) que se reúnem e constatam a falência do mundo.

Dois exemplos vêm à mente: A Comilança, de Marco Ferreri, e Dias e Noites na Floresta, de Satyajit Ray, clássicos dos anos 70. Em A Comilança, quatro amigos de meia-idade viajam para castelo e, depois da mais triste orgia jamais filmada, comem até morrer, uma vez que a vida se tornou insuportável. Em Dias e Noites na Floresta, (outra vez) quatro colegas de trabalho saem de férias e se relacionam com os vizinhos ricos e a imensa população local que vive na pobreza. Para Ray, em jogo, a crise ética e moral da sociedade bengali, em decorrência do ultrapassado sistema de castas e do avanço do capitalismo.

Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti, para se restabelecerem da morte do amigo, buscam Ythaca, lugar mítico, ideal (como os amigos de A Comilança descarregam na comida suas frustrações).  Mas não precisariam, se a realidade funcionasse a contento: o mal-estar do mundo se apresenta, em Estrada para Ythaca, indiretamente, pois não há soluções por perto – apenas ao longe, em terras distantes.


SERVIÇO 
Cineclube Buraco do Getúlio
Dia 19 de julho, às 19h
Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI

terça-feira, 12 de julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Estrada Real da Cachaça

Sabe àqueles documentários que você vê tem vontade de ter trabalhado nele? Estrada Real da Cachaça é um desses. Além de cruzar com personagens interessantes e de coletar belíssimas imagens do caminho, o documentário tem como protagonista a cachaça e todo seu poder destilador. Básico. Imperdível. Genuíno. Melhor doc do Festival do Rio 2008 e  23° Festival Internacional de Cine de Mar Del Plata. 



O que você vai encontrar:

"A estrada é cheia de espíritos caprichosos"

"A cachaça é companheira"

"Cachaça, peço por favor que não me aborreça. Cê desse pra barriga, mas não me suba pra cabeça"

"Cachaça não tem memória, por isso vamos beber!"

SERVIÇO 
Cineclube Buraco do Getúlio
Dia 12 de julho, às 19h
Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI

segunda-feira, 4 de julho de 2011

1º Filme do Ciclo Pé na Estrada

Os road movies sempre fizeram parte de nós. Eles têm como cenário principal a estrada e seus personagens normalmente estão em busca de liberdade. Essa vontade humana incontrolável sobre o indefinido, o longe, os mares nunca antes navegados. A ansiedade pra se chegar ao destino. 

O Cineclube Buraco do Getúlio carinhosamente escolheu os filmes Pé na Estrada mais bombados da cinematografia brasileira, começando pelo clássico Bye Bye Brazil (de Cacá Diegues), onde artistas ambulantes cruzam o país em uma caravana fazendo espetáculos para o público que não tem acesso à televisão. 

Logo em seguida, teremos bate papo com o cineclubista, pesquisador e coordenador da  Rede Cine Mais Cultura, Rodrigo Bouillet, nosso caixeiro-viajante do mês. 

Avante, viajante! Pra pedir carona nessa vibe é só aparecer.


SERVIÇO 
Cineclube Buraco do Getúlio
Dia 05 de julho, às 19h
Rua Getúlio Vargas, 51 - Centro - NI